setembro, 2025

28set4:00 pm4:50 pmVIRAR DO AVESSOESTE · Estação Teatral

Detalhes do Evento

Num mundo onde as roupas que compramos aparecem quase por magia e desaparecem num piscar de olhos sem que nos apercebamos bem para onde foram parar, parece que é só uma questão de continuar a comprar… Mas o que influencia realmente as nossas escolhas? E que diferença faz para o mundo se eu comprar só mais uma coisa? Das mãos que colhem às que cosem, das máquinas que produzem às que embalam e transportam, dos impulsos às necessidades daqueles que usam, o ciclo tem de ser virado do avesso para o podermos conhecer. “Virar do avesso” convida-nos a seguir as histórias por trás das etiquetas, os caminhos secretos das roupas e o destino surpreendente do que descartamos.

Este espetáculo é uma criação baseada no projeto pedagógico Ver-Fazer de 2023/2024, onde as inquietações e ideias de miúdos e graúdos sobre o tema, contribuíram para a dramaturgia.

Num espetáculo que pretende refletir sobre o consumismo e o desperdício a partir da indústria têxtil, faz sentido que a própria encenação procure desdobrar-se através dos mesmos valores. A opção por fazer evoluir um objeto artístico criado em conjunto com e para a comunidade escolar, aumentando o seu tempo de vida útil e alargando-o a outros públicos, nomeadamente familiares, inscreve-se nessa premissa. Desta forma, optámos por dar uma nova vida a figurinos, adereços e elementos cenográficos provenientes de criações anteriores, provando que o teatro, assim como a moda, pode (e deve) ser mais sustentável. Ao reutilizar materiais, estamos não só a reduzir o desperdício e o consumo de novos recursos, mas também a procurar uma ressignificação de objetos e tecidos. Cada figurino adaptado, cada adereço reinventado e cada cenário reconstruído reforçam a reflexão que pretendemos com este espetáculo. Assim, o palco reafirma-se como um espaço vivo e de transformação, onde a criatividade substitui o descarte e a imaginação ajuda a costurar novas possibilidades. Se queremos falar sobre o impacto das indústrias e da economia no mundo, que isso comece na própria forma como nos propomos contar esta história.

FICHA ARTÍSTICA
Encenação e Dramaturgia: Tiago Poiares em co-criação com António Rebelo, Joana Poejo e Samuel Querido (fase Projecto Pedagógico Ver-Fazer) / Interpretação: António Rebelo e Joana Poejo / Desenho e operação de Luz: Pedro Fino / Espaço Cénico e Figurinos: ESTE – Estação Teatral / Design gráfico: Jorge Portugal – Puretugal / Assistência de Produção: Elisabete Rito / Direção de Produção: Alexandre

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Organizador

EsTe . Estação TeatralNa génese da Estação Teatral, em 2004, está a complementaridade de dois impulsos motores que, em sinergia, desembocam na compatibilidade entre (1) a pesquisa de uma IDEIA DE TEATRO, num movimento sem fronteiras, e (2) o diálogo em cumplicidade com a COMUNIDADE do seu contexto: a Beira Interior. O surgimento da companhia parte da iniciativa de um colectivo de profissionais que identificava a premência de um PROJECTO que dotasse uma região isolada, com acções consequentes e que transcendessem a natureza de “companhia de reportório” ou de “sala de espectáculos”. “Mãe preta”, primeira criação, inscreve já todo um ADN que se repercute até hoje, ora nos ensinamentos de ferramentas do antigo, como a MÁSCARA, ora na inspiração em teatros tradicionais/populares, como a manipulação de marionetas, ora ainda na dimensão de um TEATRO TOTAL dada pela prática dos contadores de histórias, ora, finalmente, pela perspectiva que faz imanar a arte da ENCENAÇÃO como o centro da escrita, numa autonomia proporcionada por uma DRAMATURGIA DO VER onde texto escrito é contemporâneo do ensaio. Também porque uma peça se desenvolve a partir de diálogos encetados com públicos específicos, ao mesmo tempo em que se busca um relacionamento “por camadas” junto de espectadores com tipificações sociais e culturais distintas, como é o caso do projectos pedagógicos “Uma história para continuar...” (até 2016) e depois “Ver-Fazer” que trabalhou com toda a comunidade escolar do concelho do Fundão ao longo de dezassete anos e imanou versões para a programação principal. No regresso ao ANTIGO, está o relançamento de um teatro HODIERNO, reintrepretando estruturas, fora desse circuito fechado onde a prática é não raro a “tradição de uma tradição”. Peças como “Pax Romana” (2006), “A verdadeira história da Tomada do Carvalhal” (2007), “Cozinheiros” (2009), “Volfrâmio” (2011), “A entrada do rei” (2014), “Terra sonâmbula” (2015), ou mais recentemente “Coração que é livre fica” (2019) e a trilogia “A Avenida” (2019/2020/2021) inscreveram-se justamente em princípios éticos/estéticos que não apenas desembocaram numa corrente de público muito expressiva mas consolidaram uma rede de itinerância pelo território nacional, hoje, património inestimável que alarga o futuro. COMPANHIA DE PROJECTOS que imanam objectos próprios, numa relação VER-FAZER em continua progressão, as formas de contacto foram sempre transversais. Fosse o Festival TeatroAgosto, realizado durante 15 anos consecutivos, ou os Ciclos Dramatúrgicos, ou o contacto com as escolas e as suas próprias “Classes de Teatro”. É também neste conjunto de princípios que se insere a Feira Ibérica de Teatro do Fundão, organizada pela ESTE em parceria com o Municipio do Fundão desde 2019, um projecto diferenciador em Portugal na promoção de um mercado ibérico das artes dos espectáculos. Desde 2004 a ESTE – Estação Teatral estreou 45 criações originais e já actuou em Espanha, Alemanha, Cabo Verde e Brasil. Medalha de Mérito Cultural da cidade do Fundão.

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